20 janeiro 2012

Pipocas e bolo de fubá




Férias! Chegou esse tão esperado período do ano. Muitos fazem planos, e outros querem mesmo é não ter nenhum. Viagens, passeios e aquele merecido descanso com a família. E se você for pai, como eu, é o momento de poder ficar mais com os pimpolhos e curtir bons momentos juntos. Entre tantos programas, inclusive saborear aquele bolo de fubá saindo do forno da casa da vovó, um deles é assistir bons filmes com os baixinhos. Até porque nessa época do ano a chuva adorar aparecer de surpresa, não é? Opções não faltam. São nesses meses, que tanto em locadoras quanto nos cinemas, os principais lançamentos destinados ao público mirim acontecem.
Mas é bom tomar cuidado na hora de selecionar o que vai assistir e não embarcar em um “programa furado”. Já se foi o tempo que filmes infantis (desenhos ou animações caso queira chamar assim) são produzidos apenas para crianças. Os “tradicionais” clássicos da Disney, cheios de histórias perfeitas com mundos perfeitos, não tem muito espaço para quem quer fazer um programa em família, seja em casa ou na sala de exibição. Hoje os filmes são pensados para agradar tanto os pequeninos quanto os pais. Prova disso é que parte da produção do gênero neste ano está ligada aos personagens que fizeram sucesso quando tínhamos a idade de nossos filhos: “Zé Colméia”, “Os Smurfs”, “Muppets” entre outros.
Essa estratégia acaba por agradar mais adultos do que crianças, que não fazem a menor idéia de quem foi Catatau, Gargamel, ou Gonzo. Mas sempre vale pelas risadas e por partilhar parte de nossa infância com eles. Já para quem gosta de boas histórias, existem as animações que valem ser assistidas (e porque não fazer um “vale a pena ver de novo” pra quem já viu) Essas produções trazem mensagens sensacionais com histórias bem simples, como é o caso de “Up – Altas Aventuras”, “Como treinar o seu dragão”, “A casa monstro” e “Enrolados”.
Não podemos esquecer daqueles que você assiste o primeiro e seu filho (ou filha no meu caso) com certeza vai querer assistir todas as continuações, é o caso de: “Toy Story”, “Carros”, “Shrek”, “Madagascar”, “A Era do gelo” e “Kung Fu Panda”. Mas ainda com tantas opções, você nem sempre vai conseguir conciliar o gosto de toda a família. Isso é bom para que os pequenos possam ter também suas preferências. É preciso respeitar essas escolhas, principalmente quando for fazer aquele passeio com eles (no meu caso elas) pela locadora. São muitas as opções, desde os clássicos até os personagens que fazem parte do universo dos pimpolhos todo dia na TV, como: Cocoricó, Castelo Rá TIm Bum, Charlie e Lola, Ben 10, Barbie, entre outros.
Como última dica vale lembrar de ter cautela ao escolher os filmes para assistir com as crianças. Muitos, como já disse, são produzidos com o objetivo de agradar toda família, porém, acabam por ter itens não muito recomendados para os pequeninos, como violência e muita ação. Lembre-se que o objetivo é se divertir com eles, seja comendo pipoca ou saboreando aquele bolo de fubá da casa da vovó. Hummm, já dá até pra sentir o cheirinho!



* Texto publicado na Revista Ribeirão Preto em dezembro de 2011.

22 dezembro 2011

Balanço, só se for do parque


"O ano acabou e eu não fiz nada." Quantas vezes você já ouviu alguém dizer essa frase? Ou aquela outra: "O ano passou voando, não?" Que fim de ciclo o que minha gente. Que fim do mundo! E essa tal sensação de que a vida está mais rápida, corrida, que falta tempo. Que nada! O tempo é o mesmo. Penso que o que falta mesmo é organização e na maioria das vezes vergonha na cara. Pare pra pensar. A gente reclama muito turma. E pior, fazemos tão pouco para de fato mudar. 

Uns reclamam do emprego, do marido, dos filhos, do carro, da casa, das contas, do computador, do celular, do vizinho... Outros do periquito, do canal de compras, do salário, das férias, do calo no pé esquerdo, da dor no bico de papagaio... É um eterno descontentamento. Agora pense como seria a vida se a gente não tivesse essa pitada de preocupação? A gente cai para aprender a ficar de pé, apanha para se levantar. Se você não está aprendendo nada é porque tem algo de errado.

Bons momentos tem que acontecer, é claro, e estão aí para serem vividos. Parece bordão, mas "depende de nós". Como dizia Will Smith, no "Em busca da felicidade": "Sabe esse momento, esse pequeno momento aqui, ele se chama FELICIDADE." É isso aí turma! São pequenos momentos, pequenas coisas, pequenos gestos, que se você juntar tudo num pedaço de filme como esse aqui embaixo do filme "A história de nós dois", você verá que a única maneira de alcançar um objetivo é ralando mesmo, aprendendo, se dedicando como deve ser e sem ficar fazendo "balanço" ou culpando o mundo por não estar feliz ou se culpando por não ter feito certas coisas. ATITUDE! Rocky Balboa dIz que vão te bater muito. E o segredo não é o quanto você bate, mas quanto consegue ficar de pé.

Por isso, pelo amor de Deus, não chore nesse fim de ano pelo leite derramado, ok? Agradeça por aquele que você conseguiu tomar. Sobrevivemos, entre tantos que partiram dessa para melhor (e olha que não foram poucos neste ano). Eu mesmo queria ter feito muitas coisas, viajado mais, visto mais o sol se pôr (não gosto de acordar cedo pra ver ele nascer), amado mais e até errado mais como diz a música do Titãs. Queria ter escrito muito mais posts aqui sobre a mudança no Jornal Nacional, o filme o Palhaço que mexeu demais comigo, mas não deu, sou humano, fica para a próxima.

Não fique aí se arrependendo do que não foi feito, mas se arrependa por perder tempo e não preencher daqui pra frente seu "livro da vida" com coisas boas. Escolha melhor, se permita mais, organize-se melhor e faça valer a pena. 

Balanço, somente o do parque. E para muita diversão!
Feliz Natal e um sensacional 2012

03 outubro 2011

Guns n´ roses e EU não somos mais os mesmos. Mas vivemos!

"Axl não é mais o mesmo. Guns n´Roses não é mais o mesmo." Quanto tenho ouvido isso e o quanto ouvi ontem durante a apresentação da banda no Rock in Rio 2011. É, eu era um dos muitos que esperou madrugada adentro a última apresentação do mega evento do rock. Diferente da multidão que eu mesmo via pela televisão, estava eu lá, sozinho. Luz apagada, tv baixa para não acordar minha linda mulher e as minhas filhas, ouvindo a chuva mansinha lá fora, vendo ela cair sobre a "galera" na cidade do rock... Celular na mão, tuitando e fazendo piadinhas com amigos e parceiros que também aguardavam a apresentação que demorou mais de uma hora pra começar.

Foto: Flávio Moraes/G1

Nesse tempo de espera, lembrava de 91, a primeira apresentação da banda no Rock in Rio. Eu tinha quase 16 anos. Aborrecente de carteirinha. Estava no primeiro colegial. Cabelo comprido, magro como um palito de sorvete, usava macacão, camisa preta. Todos da minha turma do Otoniel Mota éramos assim. Identificação. Tribo. Esse ano foi um marco pra mim. Eu deixara o SESI 298, onde estudei todo o ensino fundamental, a zona de conforto da escola perto de casa para ir para o colégio do centro. Novidade. Medo. Riscos. Os amigos de anos agora são outros. O Information Society já não era mais referência. O Rock grunia na minha cabeça e na alma como se ali estivesse preso só esperando para ser solto. Assim como o Du (que antes só se chamava de Eduardo, ou Geléia, é aquele dos caça-fantasmas, assunto para outro post mais constrangedor).
Pensava somente que era o primeiro ano do resto da minha vida. Procurava identificação. Comigo e com os outros. E foi naquele 91 que conheci o Guns n´Roses, assim como outras bandas de rock que me acompanham até hoje. Eu, Leandro, Carlos, Douglas, Lordo, Xande, Gui, Luis e o Renato, Jossie Renato (kkk), o mais fanático da turma. Usávamos camisetas da banda, cantávamos as músicas, tocávamos, tínhamos livrinhos com cifras compradas na banca de jornais, pastas com partituras xerocadas. E viviamos tudo aquilo, junto com os ídolos. A festa tinha "Sweet Child o´mine", no carro tocava "Knocking on heavens door", quando tava com raiva do mundo ouvia "Paradise City" e "You are Crazy" bem alto. Quantas VHS´s gravadas, quantas fitas cassetes, quantos beijos alucinados, quantas revoltas, quantas alegrias, quantas conquistas, quantas fossas, quantas viagens, quantos passeios. Faz parte da minha vida, a história da banda se mistura com o meu eu. Longe de fanatismo, não confundam.

Mas voltando ao show de ontem, quase próximo deles tocarem eu mesmo me perguntava o que fazia ali, perdendo horas preciosas de sono que com certeza fazem falta hoje, até porque não sou mais o mesmo. Opa. Aí chegamos na questão. O tal do tempo passa para TODOS, TODOS sem excessão. Para uns mais rápido e para outros não. Claro que pro Dinho Ouro Preto o tempo parou.  O cara tem um formol espetacular, não é? Mas para outros ele é mais cruel. Por outro lado, Cazuza, Renato Russo, Lenon, Morrison, Joplin, não tiveram que amargar essa fase da vida e envelhecerem, se deparar com seus próprios medos e pesadelos de não serem mais os mesmos ídolos que foram um dia, de conseguir contentar todos aqueles que um dia os admiravam.
E por isso digo que a banda mudou sim. Queria ver o Slash, o Matt, o Duff, porém, tinha o Axl. No Mc Donald´s tem uma frase que nunca esqueço: "Ninguém é melhor que TODOS nós juntos". É verdade. A banda era muito melhor. Eu tinha uma banda que era "a" melhor. Mas não conseguimos tudo que queremos. É preciso aprender a lidar com certas perdas e frustrações. Se adaptar. Axl está diferente sim, numa versão judiada pelo tempo, mas o "cara" estava ali, debaixo de chuva, dando o máximo dele, o máximo, pra mim e muitos outros que também tiveram histórias, onde de alguma forma o Guns estivesse envolvido. Corajoso, sem dúvida, pra ele também não deve ser fácil enfrentar o tempo. Pra mim também não é. O garoto aqui que tinha 15, hoje tem 35. Ele ainda tenta ser um garoto, ainda que a idade não permita e diga todos os dias de diversas maneiras que não pode mais. Ele ainda quer  dançar, beijar, sonhar, cantar, pular, se divertir, ouvir música que gosta, usar calça jeans, ter cabelo comprido e usar all star. É uma maneira nostálgica de se manter vivo e jogar as crises, anseios e frustrações de lado. Talvez, eu, Axl, você que lê esse texto já não somos mais os mesmos. E que bom! Evoé! Isso significa que somos humanos, que estamos vivendo e que não desistimos, mesmo com toda torcida contra. É. Estamos aqui dando o melhor de nós e sendo feliz, isso é que importa. Valeu Axl, valeu Guns!


23 setembro 2011

Pôr do sol na Primavera

Vivemos em um mundo pós moderno e capitalista. Acabou-se a cultura! Os valores de outrora hoje são substitúidos por objetos de desejo, sem vida própria, criados pela indústria do eu posso, eu quero, EU CONSIGO. Nunca estivemos tão conectados, plugados, com o mundo globalizado. Nunca estivemos tão solitários. Em busca de uma satisfação insaciável, perdemos o que há de mais essencial no ser humano: A ALMA.

O olhar crítico foi gradativamente substituído pelo superficial. O banho não é mais o mesmo se não tiver o sabonete DOVE e o shampoo ÉLSEVE. A água não precisa estar quente ou fria para causar aquele prazer. Tanto faz. A maçã vermelhinha já nem precisa de sabor. O importante é saciar a fome. Que tal um Mc Donald´s? Rápido e prático e já escolhem o que vou comer, nem preciso perder tempo. Tudo é digerido. Como todo o resto. (isso me lembra o filme Cidade dos Anjos)

Estamos cheios, fartos de informação e fast food, porém, sedentos de sentido e prazer. Vivemos de aparência. Na caverna de Platão. Para que a realidade se a sombra já me basta. Para que sentar a mesa se vivo bem com migalhas? O importante já não é mais o que sou, mas o que possuo, o cargo que ocupo. O bem e o mal, o pensamento e o imaginário se misturam como na ficção de George Lucas. Na televisão e na internet tudo é possível, tudo é ficção, melhor encarar assim a realidade. E com isso a vida passa em ritmo alucinante. Como em um videoclip. Corra Lola, Corra! No final, todos nós olhamos para trás e enxergamos um passado cheio de deveres, trabalho, conquistas, mas SEM SENTIDO.

Quero a simplicidade do campo, a ingenuidade da infância, a paz de espírito, a paixão da adolescência e nada mais. Só assim o querer terá sentido. COMO UM PÔR DO SOL NA PRIMAVERA!

22 agosto 2011

Rir ainda é o melhor remédio

Como nasci no fim da década de 70, vivi parte da infância nos anos 80. E posso dizer que essa década foi fantástica. Nessa época eu ainda era filho único (meu irmão nasceu apenas em 86, dez anos depois de mim). Tinham poucas crianças na minha rua. Meus primos moravam longe, então minha companhia preferida era a televisão. Claro que existiam muitas brincadeiras, mas a televisão era a porta de entrada para que eu me comunicasse com o mundo exterior e criasse o meu próprio mundo imaginário. Será que é por isso que hoje trabalho com televisão? rs.

Foi ali que conheci o palhaço e o circo. Quem nunca quando criança não quis ir embora com o circo? Quem nunca se encantou com esse mundo mágico? Quem nunca riu com o palhaço e suas inocentes piadas? Também me lembro qual dos inúmeros filmes dos Trapalhões era o meu preferido: "Os saltimbancos trapalhões." Talvez porque eram personagens humildes, maltrapilhos, tinham somente a roupa do corpo e aquilo era suficiente pra eles. Talvez porque mesmo com toda aquela simplicidade e dificuldade da vida ainda riam, e faziam os outros rirem. O palhaço sempre está feliz, mesmo quando está triste.

E nesse final de semana, tive a oportunidade de assistir bem de pertinho um espetáculo do Grupo Zibaldoni de Ribeirão Preto, a convite da Escola Criança e Cia, onde minha filha Julia estuda. O evento aconteceu no Teatro Minaz em comemoração ao Dia dos Pais, destinado para pais e alunos do colégio.  Nesse espetáculo, Gran Circo Internazionale e a saga dos heróis desconhecidos,  os atores são Lucas e Neto, que deram um show fazendo com que pais e crianças, soltássemos altas gargalhadas. Ainda participam do Zibaldoni Léo, que também é ator, e Anna, que é produtora de todos os espetáculos do grupo.

Pude conhecer mellhor o trabalho do Grupo Zibaldoni no ano passado, onde minhas alunas de jornalismo da Barão de Mauá produziram um documentário para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) com o título: "Lona de Céu", um documento sobre o trabalho do grupo nas favelas de Ribeirão. Para quem se interessar, segue o link do documentário abaixo.


Orientando o trabalho e participando da finalização do mesmo, pude perceber o quanto é verdadeira a frase que diz que "rir ainda é o melhor remédio para muitos problemas", principalmente os de saúde e os sociais. Parabenizo aqui mais uma vez essa dupla que dedica a vida ao riso. Tenham certeza que vocês são tão importantes para a vida das pessoas como os médicos. Usando a menor máscara do mundo, que é o nariz do palhaço como vocês mesmo dizem, vocês fazem com que os espectadores tirem suas próprias máscaras e voltem a sorrir, como simples crianças que foram um dia.